terça-feira, 8 de abril de 2014

EL CRUCE 2014 - Volcanes en Patagonia

    Desde 2012, quando descobri a prova, El Cruce passou a ser uma meta. Participar de uma prova de 3 dias com 100km e em lugares magníficos entre Chile e a Argentina, virou sonho à se realizar, só acreditei mesmo que iria participar quando recebi a confirmação da organização, seria minha primeira ultramaratona.    
    Participei de poucas provas longas: 42km em Búzios (2012), 42km Deserto do Atacama (2013), 40km Serra fina (2013). Realizei treinos importantíssimos para aprender amanusear os equipamentos e trabalhar o psicológico como a travessia de ida e volta na serra dos órgãos em 2013 (Petrópoilis-Teresópolis-Petrópolis) onde passei a ser o primeiro a fazer este percurso em menos de 24h. Simulados de ladeiras e treinos seguidos com quilometragens parecidas foram realizadas também para ganhar resistência muscular.
    Os dois meses que antecederam a prova foram de ansiedade total. A grande exigência na carga horária de trabalho, passou a me desgastar demais, baixando minha imunidade diversas vezes.
    Foi imprescindível a compra de equipamentos e suplementos para a realização da prova. A logística da viagem me rendeu muitas horas de estudo.
    Duas semanas antes da viagem, uma gripe me deixou muito fraco, tendo que ser necessário, a suspensão de alguns treinos, segundo minha médica nutróloga Maria Vargas. Ela foi importantíssima com meu acompanhamento nutricional e fisiológico. Importante também foi a Assessoria PontoCorrido com todo o suporte em treinos, junto com a academia Delfim Boxe com o apoio nos treinos de fortalecimento, com treinos em esteira, divulgação da minha imagem e apoio financeiro.
    A semana que antecedeu a viagem foi de fortes emoções entre amigos, familiares e namorada, todos me incentivaram e me apoiaram muito.
    


05/02 - dia da viagem: Embarquei no Aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro chegando no horário correto no Aeroporto de Guarulhos-SP. O Atraso de 1 hora no voo para Santiago foi prejudicada ainda mais com o atraso na entrega das bagagens, impedindo que fizéssemos a conexão de imediato para a cidade de Puerto Montt como estava previsto. Ao constatar que realmente perdemos o voo de conexão, fomos todos (aproximadamente 20 brasileiros) fazer reclamação no guichê da empresa aérea Lan, responsável pela  confusão. Horas de negociação e sem ter qualquer informação concreta, consegui uma fila de espera para as 21h tendo em vista que estava no aeroporto desde 14h. Morrendo de cansaço e impaciente, descobri que só teria vaga para o voo do dia seguinte as 9h50. Eu e mais dois brasileiros passamos a noite em um hotel em Santiago mesmo pago pela empresa aérea. Apesar dos problemas eu, Alexandre e Michel passamos a fazer desses momentos de estresse momentos de descontração.
Pousando finalmente na cidade de Puerto Montt, 10°C na cidade e chovendo fino, pegamos um taxi para Puerto Varas onde nos deixou nos respectivos hotéis.
Hostel Compass Del Sur, muito simpático e com uma excelente localização.(ao lado do Hotel Patagônico, onde se realizava a entrega dos kits) . Arrumei minha mala e saí para almoçar e pegar o kit, Excelente organização, com chips para fotografias e postagens automáticas em nosso facebook. Descansar que é bom nada, fui arrumar as mochilas de acampamentos, corrida e a mala de viagem, levá-las para os devidos abrigos, assistir a palestra técnica e jantar. (ufa!) Surpresa ao dormir, no quarto onde eu estava, tinham mais 6 corredores, todos argentinos e o pior, estavam disputando quem roncava mais.


Dia 07/02 - 5h da manhã, tempo frio e chuvoso, mesmo sem clarear, os ônibus já se encontravam na beira da estrada nos esperando. Pegamos um amanhecer muito nublado na estrada. Aos pés do Vulcão Osorno sem poder vê-lo direito por estar encoberto pelas nuvens e as margens da Playa del Lago Todos los Santos, lá estava o pórtico de largada. Isotônico à vontade para todos encherem suas garrafas, atletas de diversas nacionalidades confraternizando com uma alegria contagiante. Para muitos, estar ali já era um sonho...
            A largada foi dada as 8h10 em ondas, com a tentativa de não causar engarrafamento no início do percurso ou acidentes, mas foi justamente ao contrário, a beira do lago ficou pequena para tanta gente. Muitos caminhavam já no início e atrapalhava muito. A paisagem era muito bela, o lago verde com as pedras e terras pretas de origem vulcânica davam um contraste espetacular. Nos primeiros 800m fui realizar uma ultrapassagem e pisei em uma pedra dentro do lago que deslizou e cai com a lateral do corpo em outras pedras, bem dolorido mas segui firme... já pensou???!!! 





            A vegetação apareceu na trilha e começamos a ganhar altitude, com isso a temperatura baixava, a chuva e frio aumentava e nessa altura já estávamos beirando o todo poderoso Osorno. Sem enxergar 10 metros à frente devido a subida e a chuva nos olhos, alternei longos trechos de caminhada e corrida, o frio era muito, a pontas dos dedos das mãos ficavam dormentes e o nariz muito gelado. Alguns dias depois, fui descobrir que a sensação térmica naquele momento era de -7ºC.

            Ao iniciarmos a descida, a chuva deu uma trégua, foi a hora de recuperar o tempo perdido e acelerar. No km22 vimos o posto de hidratação com isotônico, laranja e banana que desceu maravilhosamente bem. Continuando, voltamos a subir e se achávamos que já tínhamos passado pela parte mais difícil, ai que nos enganamos, foram praticamente 12km de muita lama até a canela, barrancos com uso de cordas para auxílio. O uso dos bastões foram importantíssimos para evitar quedas e auxiliar os joelhos no apoio. A expectativa era de 39km e completamos a prova com quase 42km. A vista do acampamento do alto do morro foi a melhor coisa que a gente poderia ter visto naquele momento, ajudando no fôlego e dando mais força nas pernas. Fim do primeiro dia de prova com 6:17'. Acabado!!!!


 Ao chegar, hidratação de imediato, demorei a me localizar no camping e fui direto para o lago fazer a sessão de crioterapia.
O sol por volta de 15h ainda estava forte porém o vento era bem fresco mantendo uma temperatura agradável fora da água e seco, dentro, a água estava congelante, ao sair então, nem se fala. Revigorado com o banho gelado no lago, fui conhecer o acampamento, reencontrei os amigos do aeroporto no pós prova. Uma enorme infraestrutura com lugar para carregar o garmin, tenda para massoterapia, pra bebidas, barras de cereal e sucos.
           As refeições eram sempre muito bem servidas com carne e massa à vontade no almoço e jantar. Existia também uma tenda somente para a refeição na qual sempre estava cheia e que servia perfeitamente também para confraternizar com os amigos. No meio da tarde, descobrimos que a prova de duplas que tinha saído um dia antes da gente pegou um temporal e tiveram que alterar o percurso, com isso, nosso percurso também foi alterado mas só fomos descobrir isso as 13h do dia seguinte.


            Previsto para encerrarmos a 2 etapa no acampamento dois com 33km, o clima não ajudou muito provocando tempestades e até nevasca neste percurso (estávamos no verão). Tensos sem saber o que ia acontecer, não tínhamos noção se comíamos algo pesado ou se não comíamos nada, se descansava ou se permanecia pronto. 14h30 foi a largada no mesmo acampamento com um sol belíssimo. Fizemos um bate e volta de 18km nesse dia, passando por trechos também de lama e trechos em campos cobertos de margaridas amarelas, dando a impressão de que tudo aquilo ali era um sonho, mas não era não, foi ladeira na ida e na volta.       



            Durante todo o percurso  fomos contemplados com um belíssimo dia, podíamos observar o Vulcão Osorno sem uma nuvem e com toda sua neve, uma vista belíssima, quanto ao pôr do sol? Outro espetáculo, por volta de 21h o sol se escondia por trás do lago.

            Dia 9/02  - 5h da manhã e todos levantando, foi o dia mais frio, noite de céu limpo e muitas filas para todos os lados: para o banheiro, para o café da manhã, para entregar a mochila no caminhão e finalmente para entrar no ônibus que ia levar a gente até o acampamento 2. A chegada no acampamento localizado na região de Antillanca foi marcado por muita confusão de informações, descobri que a prova seria de 25km e que largaria as 10h30. Iniciei meu ritual de arrumação e as 10h15 e foi dada a primeira largada, que loucura! Larguei lá trás de novo. Com muitas dores no joelho do tombo do primeiro dia, comecei mancando mas logo nos primeiros quilômetros a musculatura foi aquecendo e voltei a correr normalmente. Estávamos passando por uma estação de esqui e a paisagem maravilhosa começava a aparecer. Vários vulcões nevados ao fundo, crateras gigantescas ao nosso lado e o terreno era de pedra vulcânica preta. Passamos por pelo menos três ladeiras gigantescas daquelas que formavam filas enormes, todos sempre com o bastões no auxílio. Tinham momentos em que essas pedras no solo eram tão pequenas que se confundiam com areia e em dois trechos tive que parar para tirá-las do tênis. Uma fumaça brotava da terra dando a impressão de que a terra estava fervendo.


            As fotografias tiradas pelos fotógrafos profissionais no helicóptero mostrava a beleza selvagem do local e que mesmo impressionados não tínhamos a noção de onde realmente estávamos. Após os belos momentos de paisagens exuberantes, chegou a hora de colocar velocidade nessa aventura. As grandes ladeiras acabaram e a vegetação se fechou, com ela, muita lama, pequenos rios, trilhas estreitas com árvores caídas a todo o momento dificultando as ultrapassagens. foram alguns quilômetros bem difíceis porém mais planos. O quilômetro 25 chegava e já se avistava o pórtico de chegada, a alegria já era de emocionar, o sprint final para a última reta e a salva de palmas de todos que estavam recepcionando era indescritível a sensação, missão cumprida e a certeza de que apesar das dores no quadril e joelho, fiz o meu melhor. Depois da chegada, um ônibus levava a gente até o pórtico oficial. O que? Isso mesmo, depois que chegamos, pegamos micro-ônibus até o local de chegada oficial, o tempo não contava mais, porém toda a infraestrutura do evento estava lá: foto oficial, entrega de medalhas, almoço, o trâmite alfandegário, as malas e os ônibus que iam dar destino para todos.



       Depois de tudo o que passei, achava que merecia um prêmio, então fiquei dois dias em Bariloche descansando. Para fechar com chave de ouro,  no último dia teve um encontro na Cervejaria Antares, com dois grande amigos que fiz na corrida, o dez de março ( Rafael Pina) e o Anastácio para brindarmos a conquista no El Cruce.

3 comentários:

  1. Daeh 8:30 kkkk Baita relato. Muito show.

    Cara, vc fez bate e volta na petro-tere ? Seu maluco ! Eu fiz aquilo uma vez pra trekkin com um bivaque entre o açu e o sino... era muito a fim de fazer de novo numa paulada só hehehe.

    ResponderExcluir
  2. Parabéns!!! Muito orgulho de você, da sua disciplina e coragem. Nunca desista dos seus sonhos.

    ResponderExcluir
  3. Grande Fábio! É isso aí Crucer! Abraço!

    ResponderExcluir