Após 1 ano e 4 meses ter feito a Travessia Serra Fina, considerada por alguns a mais difícil do Brasil com quatro dias de caminhada, retornei no dia 12 de outubro de 2013, para realizar um trecho dela correndo pela La Mision Serra fina 40 km.]
A short e Half Mision do Brasil, é uma corrida de montanha, que teve dois percursos, um de 40 km e outro de 80 km. O lugar escolhido para a realização desse evento foi a Serra Fina, nas serras da Mantiqueira com a cidade de Passa Quatro-MG.
A short e Half Mision do Brasil, é uma corrida de montanha, que teve dois percursos, um de 40 km e outro de 80 km. O lugar escolhido para a realização desse evento foi a Serra Fina, nas serras da Mantiqueira com a cidade de Passa Quatro-MG.
O percurso dos 40 km iniciava-se, na praça central de Passa Quatro, passando por uma estrada de terra que dava no Refúgio Serra Fina já localizado a 1500 metros de altitude. Em seguida, passando pela crista das montanhas até chegar ao Cume do Capim Amarelo com 2450 m de altitude com o tempo máximo para conclusão de 14 horas.
A chegada a Passa Quatro foi bem cansativa, com uma duração de 6h saindo do Rio de Janeiro e uma parada na cidade de Cruzeiro-SP para troca de ônibus. O primeiro dia na cidade foi bem tranquilo, retirada do kit, descanso, encontro com alguns amigos e um treino de reconhecimento.
Dia 12 de outubro, também conhecido como o dia das crianças, foi o dia em que fui me divertir na montanhas de Minas Gerais. Largada prevista para as 11h com um briefing as 10:30, tempo nublado com nuvens carregadas no alto das montanhas, as 9h, o céu estava azul.
A largada foi dada as 11h em ponto, com o carro da organização puxando o rítmo em 6 min/km, aumentando gradativamente. Passamos por 1,5 km de paralelepípedo, cruzamos a via férrea e a estrada principal da cidade passando por uma estrada de terra até o início da trilha.
Cruzamos com o Refúgio Serra Fina e a Fazenda Toca do Lobo, antes de iniciar a trilha oficial para Serra fina, onde teve a primeira e última parada para abastecimento de água, depois só na chegada, e se chegar! (rsrs)
Até a crista da montanha, foram subidas muito íngremes, correr era impossível e as vezes até andar acelerado. Vistas panorâmicas maravilhosas começaram a surgir a cada metro que subíamos.
| Capim Amarelo |
A briga consigo mesmo para não parar, era intensa, a respiração ofegante era inevitável, técnicas de respiração, controle de rítmo e a moral foram as principais armas contra o cansaço, e que me ajudaram a continuar a trilha até chegar o capinzal. Chamado de capim elefante, cortante e com quase 1,80 m de altura, impedia qualquer tentativa de correr, dificultando muito a visibilidade. Um sobe e desce muito intenso até chegar ao cume do Capim Amarelo com 2450 m de altitude. Já Haviam se passado 17 km e um alívio ao saber que o mais difícil ficou pra trás, apesar de descida, o trecho era muito técnico, com muitas pedras, tufos de capim e cordas para auxílio. Fui avisado que estava em 11º colocado geral por um dos staffs, o que me deu mais ânimo para continuar e puxar mais o pace, passando esse trecho, voltamos para o capinzal com muita terra e raízes do Capim elefante que não eram nada pequenos e favoreciam diversos tipos de tombos, mas nenhum com algum tipo de risco, alguns metros a frente, chegada a mata fechada com árvores por todos os lados, raízes inclusive alguns troncos podres no meio do caminho, propiciando mais uma vez, uma série de escorregões, arranhões e tombos. Neste trecho, fiz algumas belas ultrapassagens e contando um a um. Impossível alguém chegar sem qualquer tipo de marca, qual era a graça se não chegasse também?
Surpreendentemente a trilha se abriu, e passamos novamente pelo Refúgio Serra Fina, voltando para a estrada de terra, nessa hora, o sol resolveu aparecer... quilômetros e quilômetros de terra batida com sol desgastaram muito o corpo e tive que ir reduzindo a velocidade e mesmo com pouca altimetria neste trecho comecei a andar... cãimbras foram surgindo e a suplementação de cápsulas de sódio foram fundamentais para controlar. Realizei uma ultrapassagem e foi muito comemorada, que pelos meus cálculos eu já estava em 8º lugar. Cruzando a rodovia de volta e entrando na cidade, comecei a sentir muitas dores musculares, foi aonde sofri algumas ultrapassagens o que me deixou bastante desanimado, pelo relógio estávamos com 30 km e ainda faltavam 10 km!!! Fiquei tentando imaginar por onde iríamos passar para completar esses 10 km que faltavam, foi um momento muito tenso, principalmente quando comecei a sentir outras pessoas próximas a mim, ao passar por dentro da cidade, moradores me avisavam que já estava próximo do fim, passei por alguns competidores que havia terminado e me incentivaram falando que faltavam menos de 1 km, mas ainda eram 32,5 km?! Pensei alto. Ao reconhecer o pórtico de chegada de longe, tive a certeza de que estava chegando de verdade, olhei pra trás, os outros competidores estavam se afastando e me preparei para dar um sprint final cruzando a linha de chegada em 5:18` de prova, 33,7 km, em 12º colocação geral masculino. Exausto, não tive forças para comemorar e me joguei no gramado da escadaria, alguns me ofereceram água preocupados com o estado em que estava, mas não era nada, apenas estava morto!!!!
No dia seguinte, a premiação; ainda estava na expectativa de pegar pódio na categoria, soube pelo site do evento que havia ficado em sexto na faixa etária mas os três primeiros da minha categoria também estavam no pódio do geral. Fui reclamar e fiquei sabendo que a organização era Argentina e que lá, esse era o critério, resumindo, eles pegaram duas premiações e eu continuei em 6º colocado...depois falam mal de argentino e não sabem porque!(rsrs)

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