O Parque Nacional Serra dos Órgãos é uma unidade de Conservação situada no maciço da Serra dos órgãos, abrangendo os municípios de Guapimirim, Magé, Petrópolis e Teresópolis, com uma área de 20.030 ha. É aberto para visitação permanente sendo administrado pelo Instituto Chico Mendes de conservação da Biodiversidade (ICMBio). Normalmente de maio a setembro é aberta a temporada de montanhismo, com aventureiros de toda a parte, buscando o contato direto com a natureza. O principal roteiro é a Travessia Petrópolis x Teresópolis, que exige três dias e é considerada a caminhada mais bonita do Brasil. Seu nome deriva da semelhança dos picos com os tubos de órgãos de igreja, derivando daí seu nome Serra dos Órgãos. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_da_Serra_dos_%C3%93rg%C3%A3os)
O meu primeiro contato com o PARNASO (Parque Nacional Serra dos Órgãos), veio em 2008 quando eu e mais um grupo de 15 pessoas fizemos a Travessia Petrópolis x Teresópolis em dois dias de muito aperto e cansaço. Ano seguinte, fui algumas vezes para a Pera do Sino com diversos amigos. Em 2012, voltei para tentar a travessia em menos de 12h com Alexandre Mendes e Ulisses Alves, sem êxito devido ao mal tempo, entramos no Portal do Hércules. Dois meses depois retornamos com fome de completá-la e fizemos em 7:48´da portaria de Petrópolis até a portaria de Teresópolis passando pelo Cume da Pedra do Sino. Me lembro muito bem deste momento, ao entrar no parque para iniciar esta última aventura descrita, o guarda me perguntou se íamos bater o recorde que era de 4:30´, e respondemos que não, mas um dia poderíamos tentar... isso foi em agosto de 2012, em 31 de agosto de 2013 voltei sozinho obstinado a bater esse recorde e voltar para Petrópolis, um desafio e tanto, mas eu estava muito bem preparado.
O sobe e desce e o sol, estavam me deixando desidratado e com fome. Na altura do dorso da baleia parei para fazer minha pausa de 5 minutos e nada mais. Encontrei diversos grupos pelo caminho, alguns voltando para o Açú e outros indo para o Sino. Passei pelo trecho do Cavalinho sem dificuldades ( sem qualquer acessório) e pausei no abrigo 4 onde deixei meu registro novamente. Lanchei, me hidratei e desci em direção a barragem, que foram 11 km direto e conclui em 5:10´.
A partir deste trecho, não tinha uma subida como esta mas passavam por umas 3 montanhas subindo e descendo. As 16h já havia passado pelo cavalinho descendo, onde encontrei um grupo que conversei e me ajudaram a segurar os bastões e até tirar fotos. Depois deste trecho, o caminho de volta era bem mais complicado em termos de orientação, me perdi várias vezes em diversos trechos (Morro da Luva e do Morro do Marco) cuja a vegetação era um capinzal muito fechado e como eu estava fazendo o percurso inverso, era quase impossível visualizar a trilha.. No trecho de antes do elevador até o Açú, foram momentos muito difíceis, onde precisei de muita calma para tomar decisões e ter certas atitudes. Ainda com visibilidade e o sol se pondo, todo o trecho onde conseguia enxergar a trilha e estava plano, eu corria a toda velocidade. Um pouco antes do morro do marco, de onde já se via a Pera do Açú, me vi completamente perdido em meio a vegetação, pensei várias vezes em fazer sinais com a lanterna e pedir ajuda, estava muito cansado, furei mato adentro a toda hora para subir em um ponto mais alto da pedra e visualizar a trilha.os bastões serviam como mais duas pernas me segurando.
No alto do morro do marco um dos momentos mais marcantes, eu estava caminhando bem nas trilhas e era plano quando passou bem devagar e bem perto ao meu lado um helicóptero dos bombeiros, a primeira coisa que pensei foi que meu pai estava desesperado lá embaixo e tinha chamado os bombeiros pra mim, como eu já tinha me achado, fiz o sinal que estava tudo bem e se afastaram. O sol estava quase totalmente escondido mais ainda tinha algumas brechas, os bombeiro foram me acompanhando do alto para ter a certeza de que eu não iria me perder até chegar na subida do morro da Pedra do Açú e partiram. Cheguei no abrigo ainda claro e entrei para descansar. "Escapei por pouco, papai do céu segurou o sol para mim dessa vez". Conversando com um guarda do parque e outros hóspedes, me falaram que tinha uma senhora que havia fraturado a perna na altura do Ajax e que o helicóptero veio resgatá-la. Ufa!!!!
Quando falei que achava que o resgate era pra mim, todos riram muito, inclusive eu. Tomei um café bem quente e contávamos histórias de aventura, falava sobre minhas corridas, o motivo pelo qual eu estava fazendo aquilo e mais uma vez todos me elogiavam dizendo que fui o primeiro a fazer isso. Mais uma vez meu ego, foi lá em cima. Outros grupos chegando e a conversa foi ficando boa e não dava nenhuma vontade de continuar naquele frio e já escuro, todos impressionados com o que eu estava fazendo, na verdade eu estava demorando ali para esperar o outro guia do parque com o rádio para avisar na portaria que eu estava bem mas nada de chegar resolvi partir, vesti o "santo casaco" e parti. No início do caminho de volta encontrei com o Felipe, "o guia do rádio" e avisou para a portaria que eu estava bem e que já estava descendo, neste momento ele me deixou um pouco mais na frente, pediu para me manter a direita quando chegasse no chapadão e se eu poderia acompanhar o grupo do menina que havia sofrido acidente para dar uma força para eles, aceitei na boa e partir para ataque e recuperar o tempo perdido...nessa altura já estava de noite e não via mais nada, resumindo, me perdi completamente... assim como todas as vezes, eu tive calma e sempre procurava voltar ao início da trilha mas resolvi voltar ao abrigo e pedir auxílio para passar pelo chapadão.
Um santo chamado Johnny, se voluntariou a me levar na boa até o início da isabeloca, onde encontramos um casal subindo tranquilamente, o guia voltou com o casal depois logicamente de uma foto no escuro para registrar o momento.(rsrs) Bem descansado e cheio de frio, pisei fundo e desci "a toda", essa era a verdadeira "night run" (rsrs). Encontrei vários grupos subindo e nada do grupo que o Felipe pediu para eu acompanhar. Bem próximo a base, achei... conversamos durante todo o tempo, eles estavam bem preocupados para onde teriam levado a mulher que se acidentou e reclamando muito do sistema de resgate do parque. Por diversas vezes paramos para o marido da mulher acidentada ligar para parentes no meio da trilha...putz... se não bastasse isso, uma outra menina estava como o joelho lesionado devido ao esforço na descida... nossa caminhada foi beeeeeeem devagar com várias paradas, como eu já estava no lucro de estar bem, de ter feito o que eu realmente fui fazer, acompanhei tranquilamente e tentei apaziguar em vários momentos, cedi meus bastões para apoio, contei algumas histórias e não pude deixar de tentar puxá-los. Ao chegar na portaria após mais de 1h acompanhando-os, a vontade de gritar era muita, mas o clima para eles não era de festas então me contive, mas por dentro...sinalizei para meu pai e para tia Rô que vibraram muito com a minha chegada, eu tinha certeza que eles estariam preocupados, na verdade eu achava que eles estariam mais nervosos...(rsrs), mas foi ótimo vê-los... aquela sensação de ter acabado, de ter conseguido depois de tudo que havia passado... foi ótimo e saber que fui o Primeiro a realizar esta travessia Petrô x Terê x Petrô, e com o tempo bruto de 13:35 ´. Valeu demais!!!