domingo, 9 de dezembro de 2012

TRAVESSIA GRUMARI - PEDRA DA TARTARUGA

Travessia Grumari x Pedra da Tartaruga 

Com o objetivo de fazer uma trilha que muitas vezes marcamos e nunca deu certo, Eu (Fabio Paes Leme), Alexandre Mendes e Ulisses Alves partimos para Grumari onde eu ja havia tentado algumas vezes com algumas lembranças não tão boas mas resolvi enfrentar este desafio.
Procuramos muitas vezes e em vários sites para saber sobre este percurso mas ninguém nunca havia descrito os detalhes...não fazíamos a mínima idéia de onde iniciar e quanto tempo de duração e em um dos relatos, estava escrito 6 horas, mas não sabíamos se era ida e volta ou isso tudo somente ida. Assim como as outras aventuras, marcamos e pronto.
Localizados dentro do Parque Estadual da Pedra Branca, as praias são um refúgio natural que até a década de 70 eram praticamente desconhecidas da população. Iniciando na Praia de Grumari, pegamos a  rua Francisco C. de Alvarenga que continuando muda de nome para Estrada do Grumari. Aproximadamente 1 km nos deparamos com uma trilha bem aberta de 2 metros mais ou menos de largura, era exatamente essa a entrada.(segundo o segurança do estacionamento era a única entrada de trilha à esquerda).
 O início é bem íngreme, passamos por várias bananeiras e logo em frente encontramos três caminhos diferentes, seguimos pelo meio e começamos a descer...descer...descer até entrarmos à direita em uma bifurcação. Em 25 minutos corridos após o início da trilha chegamos na Praia do Inferno, belíssima e deserta. Continuamos a direita da praia sentido Pedra da tartaruga, e encontramos uma trilha na pedra... lá estão os doidos inventando história e escalando a rocha de novo..
Depois de trilha com mata fechada, a primeira praia e a escalada em rocha, chegou a hora de sol nas costas todo o tempo...pequeno trecho de mato alto e caminhamos pelas pedras para chegar até a Praia do Meio. Pouquíssimas pessoas na região e continuamos, já estava cada vez mais próximo do final. Passando uma "pirambeira" e vegetação baixa, pegamos trechos com muita pedra e terra batida até visualisarmos a entrada à esquerda da trilha e acesso à Pedra da Tartaruga.
Iniciamos a descida que por sinal muito acidentada com buracos, terra batida muito escorregadia e pequenas pedras. No seu final encontramos uma bifurcação sendo a esquerda iria para a Praia do Perigoso e a direita a Praia dos Búzios com a subida para a Pedra da Tartaruga. Subindo o trecho final, outra "pirambeira", ja passavam de 9h e o sol em pleno mês de dezembro ja estava "rachando o côco".
Depois de 1 hora e 5 minutos de caminhada chegamos ao nosso objetivo muito cansados após ter iniciado a subida com uma competição nada agradável de corrida...kkk...tiramos fotos, descansamos, bebemos, comemos e traçamos nossa rota para a volta. Procuramos voltar pelo mesmo caminho mas ao chegar na Praia do Inferno, resolvemos ao invés de subirmos de volta, atravessar os vários blocos de pedra lindíssimos porém quase todos pichados e ir na última praia inexplorada por nós, a Praia do Diabo ou Praia Funda.
Tiramos fotos, conversamos com turistas e resolvemos tentar voltar por caminhos diferentes ja que tínhamos planejados 6h de trilha...rsrs. Nos enfiamos mato adentro e nada de caminho diferente, voltamos à subida e encontramos um ponto de água ao lado de uma casinha de madeira na qual paramos para nos refrescarmos. Chegando naquela primeira divisão de trilhas, resolvemos mudar o caminho novamente e nos enfiamos para o matagal à direita. Inicialmente uma trilha bem aberta mas foi fechando, muito bambuzinho, galhos com espinhos, caneladas em tocos de árvore resolvemos encerrar nossa aventura e voltar pelo caminho normal...rsrs. Em 2:48 de trilha, chegamos ao final com a missão cumprida e todos ralados devidos aos galhos e matos cortantes. Lógico que com um sol daqueles, tomamos um banho de mar em Grumari e uma chuveirada de água doce no estacionamento onde paramos o carro.

  ESTA TRILHA FOI REALIZADA NO DIA 08/12/12 NO RIO DE JANEIRO-RJ- BR pela equipe MCR - MONTANHA ( Fabio Paes Leme, Alexandre Mendes e Ulisses Alves).


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Os primeiros 42km a gente nunca esquece.


Localizada a 165km da capital, a Armação dos Búzios ou apenas Búzios, como é mundialmente conhecido, é um município do estado do Rio de Janeiro com oito quilômetros de extensão e 23 praias, recebendo de um lado correntes marítimas do Equador e do outro correntes marítimas do pólo sul, o que faz com que tenha praias tanto de águas mornas quanto de águas geladas. Entre as principais praias, destacam-se Geribá, João Fernandes, Ferradura, Ferradurinha, Armação, Manguinhos, Tartaruga, Ossos, Tucuns, Brava e Olho-de-Boi, esta última reservada para a prática do nudismo.
Este paraíso, foi o lugar que escolhi para realizar minha primeira maratona, a XC 42 Búzios, uma das mais desafiadoras do Brasil, está bom pra vocês???
Irei começar minha história 6 meses antes, quando comecei meus treinos com a Equipe Ponto Corrido. 
Focando a Maratona do Deserto do Atacama, comecei fazendo treinos específicos como em praias, ladeiras, sol, chuva, trilhas e com isso aumentando minha quilometragem em 20km, 30km, 34km...muito duro conciliar com o trabalho...isso já foi uma maratona à parte. Dentro deste período apareceu a maratona de revezamento de Búzios e achei que seria um excelente treino, logicamente não iria fazer revezamento e sim minha primeira maratona.
Dia 10 de novembro de 2012, dia da prova, tempo chuvoso ótimo para correr, nem muito sol e sem chuva, agradabilíssimo, nervosismo e ansiedade tomando conta, pensando a todo momento fazer o melhor e... é dada a largada!!!!!!!
Início na Rua das Pedras, muito tumultuado devido a grande quantidade de atletas no início e mas passou afluir aos poucos. Junto com a largada chegou a chuva fina o que impedia a gente de acelerar nas ladeiras de paralelepípedo, escorregadio demais!!! Margeando a cidade pelas ruas, subindo e descendo ladeiras e pequenos trechos de trilha, passam-se os primeiros 8km de corrida, depois deste momento as praias entraram no percurso também começando pela Praia da Ferradura fechando a primeira transição com 10,5km; Estava me sentindo muito bem com um rítmo muito bom, passando pela Praia de Geribá fechamos os 21kms cruzando a transição 2, neste momento o bicho começa a pegar...
Chegar aos 21km trouxeram duas sensações totalmente opostas, primeiramente o alívio de ter completado metade da prova e a segunda o desespero de ter que subir uma mega pirambeira logo em frente, mas tudo isso passou batido quando vi o apoio de Michelle e do amigo Flavio, (corredor da Equipe) que mesmo já ter completado o trecho dele,  me acompanhou para saber se eu estava bem, se precisava de algo...fantástico! Comecei a subir a ladeira...trilha fechada com muitos espinhos e uma inclinação absurda tendo trechos que havia a necessidade do uso das mãos, subi em um rítmo muito forte e deixando muita gente pra trás, vi muitos neste trecho com câimbras, pressão baixa, difícil mas continuei de cabeça erguida. Junto comigo no alto da montanha estava meu ego, por ter conseguido passar bem o trecho e ao descer, o corpo começava a dar sinais de cansaço... a perna começava a não aguentar o rítmo puxado que impús desde o início e parei pela primeira vez ao chegar no asfalto... com apoio de moradores da região, ganhei forças e continuar. Seguindo por um bom trecho de asfalto e terra algo aconteceu: enquanto o corpo e a mente davam sinais de fadiga e imploravam por descanso, surge um "corredor" que eu nunca vi, colocou a mão nas minhas costas e me empurrou para frente me dando força e e frases de incentivo, falando que eu teria que acompanhar o rítmo dele e mas na frente dele. Cara, que loucura!!!! eu lembro muito bem deste momento, foi real e foi até o final do trecho 3 depois ele foi ficando pra trás, pra trás, pra trás... e nunca mais o vi. Alucinação?!?!? Anjo?!?!?! Acho que era da minha mente.
O último trecho foi o mais emocionante de todos, ao passar pela transição 3, Flavio e Michelle notaram que eu estava muito mal, minha aparência era horrível e me ofereceram água e gel para tentar me reerguer mas o que mais me motivou foi a presença deles. Flavio me acompanhou por uns 200 metros. A mente era mais forte que meu corpo, a chuva apertava, o frio chegava e eu ja alternava longos trechos de caminhada com pequenos de corrida. Boa parte deste trecho era por praia e pedras...muito técnico e um desgaste muscular absurdo, principalmente depois de 32km, comemorava a cada km que passava, cada praia que eu terminava, mas parecia nunca terminar... os quilômetros finais se aproximavam e a vontade de completar era maior. Passando pela última praia encontro com meu treinador Cadú Soares esperando para me buscar... não resisti, forcei o máximo e tentei dar o sprint final, neste momento senti todos os músculos da coxa explodirem em cãimbra alternadamente, uma hora eram os adutores outra eram os íquios com isso eu mancava de dor e com a perna dura como se fosse perna de pau...alternando caminhada, me recuperei e forcei para o sprint, quando fiz a transição praia-asfalto que precisava subir uma calçada, trava com cãimbra a panturrilha direita...ai foi desespero total... mancando e correndo ao mesmo tempo cruzei o pórtico de chegada  com muita vibração e emoção!!! Foi a melhor corrida da minha pequena e promissora vida de atleta, superando os limites máximos do corpo e da mente!!!   
Chequei em 88º no geral e 21º na categoria com o tempo de 4:51´32". com 2992 calorias perdidas.Com muito frio e exausto, fomos direto para a pousada e fui dormir pelo resto do dia...cheguei a ter febre mas me recuperei até o final da tarde.E o corredor fantasma????? Não faço a mínima idéia de quem seja!!! hahahahaha
AGRADECIMENTOS
Agradeço muito aos companheiros de equipe Ponto Corrido com destaque no atleta Flavio que além de ser um monstro na corrida demonstrou ser um ser humano fantástico e ao meu treinador Cadú Soares que acreditou em mim a todo o momento ao planejar e montar meus treinos.
Agradeço aos meus familiares e amigos por ter me apoiado e me incentivado nos treinos mesmo me chamando de maluco...rsrs. Este é o meu maior reconhecimento!!!!!
Para estes, deixo aqui o meu muito obrigado!!!!!


TRAVESSIA SERRA FINA


RELATÓRIO COMPLETO DA TRAVESSIA SERRA FINA

Ø  Período da Viagem: 6 à 10 de Junho de 2012.

Ø  Duração da Travessia: 7 à 10 de junho 2012.

Ø Equipe:
1.       Fabio Paes Leme
2.       Alexandre Mendes
3.       Marcelo José
4.       Ulisses (PQD)




  •        Acampamentos:
  •   Montanha mais alta: Pedra da Mina (2.797m) – Quarta mais alta do Brasil.

1º Dia: Toca do Lobo (inicio da trilha)
2º Dia: Acampamento Maracanã
3º Dia: Vale do Ruah (após Pedra da Mina)
4º Dia: Pico dos Três Estados

Ø  Rota: Toca do Lobo > Sítio do Pierre
Ø  Dificuldade: Díficil
Ø  Transporte:
Rio x Cruzeiro: R$39,80 (Viação Cidade do Aço).
Cruzeiro x Passa Quatro: Permanece no ônibus R$ 15,90 (Viação Cidade do Aço).
Passa Quatro x Toca do Lobo: R$35,00 Sinai (não recomendo).
Fim da Trilha x Rio de Janeiro: R$ 41,00 combustível + pedágio por pessoa (carro ).

O INÍCIO
- Perdemos o ônibus na rodoviária novo rio das 19h do dia 06/06 (quarta –feira). Ninguém chegou na hora devido ao grande engarrafamento na cidade por causa do feriadão de Corpus Christie. Parecia que não íamos começar bem mas demos sorte, ônibus extra para as 20:40. 1º sinal de que era para fazer a trilha.
- Chegamos na cidade de Passa Quatro por volta de 1:50 da manhã, largados literalmente no meio da estrada pouco iluminada , completamente perdidos entramos na cidade e paramos no único bar que estava aberto.
-As 2:15 Tomando uma cachaça artesanal e um frio muito agradável conversamos com o dono do bar sobre como fazia para chegar na toca do lobo, onde seria o início da trilha. Por nossa “sorte” encontramos um cara chamado Sinai, que já havia feito diversas vezes esta trilha e falou que levaria a gente até lá por R$130,00 (2ºsinal). Tentamos negociar, mas não deu muito, única opção aceitamos o transporte. Após algumas cervejinhas “nosso motorista” nos levou de fusca até o local. (Sube a Serra, passa pela divisa de Estado e 7Km depois, em um local conhecido como bairro do Pinheirinho, que vai estar do lado direito, em frente ao Armazém da CIBRAZEM é bem fácil localizá-lo, ele está junto a Rodovia, do lado direito de quem vai para Passa Quatro e do lado esquerdo p/ quem vem de P4), uns 20km de onde estávamos. Entrando nessa rua seguimos em frente por uma uma estradinha de terra muito ruim ladeira acima porém muito bem sinalizada.Caso se perca pergunte onde fica a Fazenda Toca do Lobo que todos conhecem.
OBs: Éramos 4 com mochilas de 20kg aproximadamente e uma estrada péssima depois da chuva.
- Após muitos sustos, curvas fechadas, derrapadas e ladeiras muito íngremes, chegamos salvos.
-O percurso inicia-se na fazenda Toca do Lobo (1570m) e fomos deixados na boca da trilha.
-Procurando algum lugar para montar acampamento subimos um pouco a fazenda e na boca da trilha acampamos as 4h da manhã.

1º Dia

- Acampados e por volta de 6:30 da manhã do dia 07/06/12, começam a chegar os primeiros aventureiros para iniciar a travessia. Mesmo chuvendo, com o tempo muito fechado e sem previsão para abrir, desarmamos o acampamento e iniciamos a trilha as 8h.
- Não começamos bem, nos perdemos bem no início da trilha. Passamos por dois caras acampados em uma gruta bem parecida com uma Toca (deve ser por isso que se chama Toca do Lobo) e passamos direto voltamos e perguntamos aos caras que nos disse que a passagem se dava em frente a gruta, atravessando o rio à direita, mal sabíamos que iríamos encontrar com eles durante todo o percurso e em todos os acampamentos. Em 10 minutos de subida bem íngreme e mata fechada, a vegetação começa a se abrir possuindo apenas arbustos pequenos, grama e rocha, começamos então a subir as cristas das montanhas. Desde então já vimos como seria nosso ritmo, Marcelo José começa a ficar para trás desacelerando o grupo.
-Até então o tempo muito fechado, começam-se abrir as nuvens e a neblina mostrando algumas de suas belezas. Montanhas por toda a volta, umas mais baixas outras mais altas sendo que essas mais altas nós íamos passar por elas.
-Mais 15 minutos de trilha passamos por um grupo de 3 pessoas, Henrique, Valter (o velho) e Leo e que acabamos acompanhando pelos 4 dias de travessia mantendo nosso rítmo.
-Depois de subidas muito íngremes e caminhadas pelas cristas das montanhas paramos todos os 7 para o Almoço no Pico do Camelo à (2380m) um pouco antes do Capim amarelo. Marcelo mal abria a boca pra falar com alguém e se jogava em qualquer canto em que parávamos. Neste momento tivemos um fato que ficou marcado na travessia. O PQD, tentando fazer o almoço viu que estava entupido o fogareiro do Alexandre que havia dito a pouco tempo que o gás tinha acabado. Ao tentar tirar o butijão o gás vazou, e não foi pouco, derramando todo o líquido existente. Ao subsitituir e acender o fogo, o mesmo explodiu, espalhando fogo por pelo mato, chão e mochilas. Final das contas, o fogo apagou pois estava muito úmida a vegetação, PQD ficou com a base da mochila e a capa de chuva da mesma queimada e comemos todos miojo com sopão...nossa!! como caiu bem!!
-13:50 demos retomada a caminhada. Sobe e desce, escorrega, encharca o pé, suja mochila e a mão e seguimos em uma subida muito forte para o Capim Amarelo onde chegamos em 25 min o que era menos de 100m. Todos dizem que a vista é muito bonita mas não conseguimos ver nada por causa do tempo.


- Resolvemos não parar por ali e continuar a caminhada. Tivemos que ir em um ritmo mais lento pois estávamos perdidos e não sabíamos por onde começar a descida. Nosso GPS mostrava a direção do próximo ponto e não o trajeto que teríamos que percorrer. Fomos descendo na sorte somente com a direção e logo em frente encontramos totens de marcação. Perdidos novamente nos encontramos sob árvores e pelo meio de taquarais... o GPS mostrava que faltavam 90m de distância mas não encontrávamos a trilha de jeito nenhum, tivemos que dar uma volta nos arbustos a esquerda e subirmos uns 5 min de pedra para podermos achar o camping “Avançado”. Achamos melhor tentarmos o próximo e as 16h chegamos a acampamento “maracanã”. Com fina chuva e muito frio, montamos a barraca e arrumamos o equipamento. Alguns minutos depois chuva forte e um problema... goteira na barraca... com ajuda de São Pedro a chuva parou em pouco tempo e colocamos um poncho sobre a mesma permitindo tranquilidade a todos na barraca. Dormimos por volta de 18h, eu, Alexandre e Marcelo em uma e na outra barraca PQD e la se foi o primeiro dia de caminhada... chuva fina mas muito frio e úmido.

2º Dia


No 2º dia, o sol resolveu aparecer bem cedo...grande ilusão, em pouco tempo as nuvens apareceram juntos e o céu ficou fechado em pouco minutos, não deu nem tempo para secar as roupas. Partimos as 8:30 no meio do matagal molhado, iniciamos a subida a Pedra da Mina. Em uma trilha bem tranquila e sem problemas com marcações chegamos a parte mais alta. Por volta de 13h encontramos o riacho na qual paramos para reabastecer nossa água e almoçar, nosso retorno foi antecipado devido a chuva e vento forte, o matagal alto e cortante logo logo se transformou em um terreno bem rochoso e de vegetação baixa. Dele mais 50 minutos e chega-se ao Cume da 4ª Montanha mais alta do Brasil. A trilha vai por cima da crista desse morro passando por seus inúmeros cumes(com exceção do último) do qual ela se desvia em direção ao destino do segundo dia. Neste pequeno trecho aconteceu uma dos momentos mais marcantes da travessia, uma tempestade de vento e chuva chega no momento da ascenssão. Mesmo com a capa de chuva, todos estavam encharcados pois o vento não deixava nada parado, em diversos momentos tinhamos que esperar o Leo que havia torcido o tornozelo e caminhava lentamente, em cada pausa era uma aventura, os dedos congelando, boca roxa de frio e o corpo tremendo incensantemente. A chegada ao cume foi marcada pela escrita do livro pelo próprio Leo e uma rápida parada para ganhar fôlego no ponto de acampamento do Pico, com pedras fixadas feito muros de rocha com altura de meio metro aproximadamente. Toda a descida foi marcada com tótens grandes e cautela devida a umidade da rocha e angulação da pedra. O grupo se adiantou enquanto fiquei acompanhando o Leo, neste trecho aproveitamos para tirar algumas fotos pois a tempestade ja tinha passado e somente neste momento podemos visualizar a cadeia de montanhas gigantesca que havíamos passado.
Com a parada da chuva, podemos descer tranquilamente, voltamos a tirar fotos do local e chegamos no nosso ponto final para acampar, o Vale do Ruah. Local totalmente encharcado e trechos isolados como se fossem "ilhas" feitas para pernoitar. Montamos a barraca, lanchamos e dormimos os 4 juntos... frio demais!!!!

3º Dia

Com o tempo variando muito, aproveitamos e breve fresta do sol e partimos em busca dos Pico dos Três estados. Trilha complicada no início pois estávamos em um charco... quase impossível não se molhar, primeiro os pés pelo lamaçal e segundo pelo mato alto e cortante que ainda estava molhado com a chuva da noite mas apesar do sobe e desce foi o dia mais tranquilo. Andando em um ritmo tranquilo para não nos perdermos, acompanhamos o Rio Verde pelo seu lado direito e que breve paramos para abastecer as garrafas, era a última parada com água abundante. Antes de subirmos o próximo morro, pegamos a direita para nos afastar do leito do rio e subirmos em direção ao Cupim do Boi (2542m), passamos pela crista das montanhas diversas vezes, muitos bambuzinhos irritantes no meio do caminho. A vista é deslumbrante do cume, apesar de algumas núvens o sol estava brilhava timidamente. Descansamos por uns 10 min, tiramos fotos, conhecemos um grupo bem bacana de aventureiros e que estavam fazendo a travessia em 3 dias... bem, não dava pra mim ainda mas quem sabe da próxima?
 Energia recarregada começamos a descida...pqp!!! que pirambeira...rsrs...estávamos parecendo cabritos descendo de lado nas pedras... mas fomos na boa, e o Marcelo?? Está vivo ainda, junto com o Leo...rsrs.
Com uma subida final pra castigar e o sol de rachar, chegamos ao topo por volta de 15h. Vista maravilosa!!!! 360º de natureza e muita energia positiva. O pôr do sol foi aparecendo deixando fotos inesquecíveis... um Triângulo de ferro com 1,5m aproximadamente de altura e cada uma de suas pontas apontava para um dos estados, já que este é o ponto de divisa entre MG, RJ e SP.
Foi anoitecendo e o frio começou a doer os ossos..armamos a barraca atrás de um tufo de capim gigante e os 4 na barraca novamente. Conversamos um tempo do lado de fora da barraca com os vizinhos de acampamento, tomamos alguns goles de cachaça para dar uma esquentada no couro e apagamos... ou tentamos, pois foi a noite mais fria... -1cº.


4º Dia

Acordamos as 6h para ver o amanhecer e como ja imaginávamos, o céu limpinho e as barracas todas cobertas por uma fina camada de gelo...show!!! Fechamos com chave de ouro o acampamento.
Depois de receber toda a energia do sol, tomamos o café ou melhor, um nescau quentinho... dos deuses! E 7h estávamos partindo. O dia mais tranquilo de todos, assim como os outros, passamos por subidas e descidas, porém mais leves nosso primeiro objetivo do dia era o morro Alto dos Ivos, a vista muito boa, dizem que da para acampar por lá, mas é muito aberto, imagina o frio ou em um dia de muito vento? Descendo lentamente a trilha por causa do Leo que havia torcido o tornozelo antes dos Três Picos, começamos a nos preocupar , pois havíamos combinado com a Michelle para nos buscar de carro por volta de 14h na garganta e estávamos achando que não íamos. Nos despedimos e aceleramos nosso passo... Marcelo já estava bem descansado e nos acompanhou na boa,com tanta descida íngreme a trilha começava a fechar e ficar mais plana... porém quando dava indícios que íamos chegar, naaadaa!!! Chegamos na entrada da fazenda e pegamos a direita...com a trilha já marcada por pneus de carro e bem larga, estávamos na expectativa de acabar logo com isso... o sol estava de rachar, logo-logo passamos por abrigos, terra, batida...muita descida e o que estava perto parecia uma eternidade... passamos pelo portão de entrada da fazenda... estrada de pedra ... e finalmente a estrada...finalmente!!!!!
Ao chegarmos na estrada nos deparamos que não era a garganta do registro... estávamos em outro trecho da mesma estrada BR-354.  No final mas deu tudo certo.

Nada melhor de comer um pastel quentinho com coca-cola bem gelada depois de comer somente sopão e barras de cereal por 4 dias...kkkkk