O Monte Roraima é uma montanha localizada na América do Sul, na tríplice fronteira entre Brasil (5% de sua área), Venezuela (85%) e Guiana (10%). Constitui-se num tepui, ou seja, um monte em formato de mesa bastante característico do Planalto das Guianas, mais precisamente na Serra de Pacaraíma, na região do planalto coberto pela Gran Sabana. Composta por um tipo de rocha sedimentar formada no período Proterozóico com cerca de 2 bilhões de anos, essa massa rochosa de 90 km quadrados, é uma das formações mais antigas do planeta, que repousa sobro uma base de granito egnaisse que abrangia boa parte do Planalto das Guianas, mas foi fraturada e reduzida aos tepuis atuais pela ação da erosão e de movimentos tectônicos ao longos de 180 milhões anos. Esta rocha contém significativos depósitos de quartzo no chamado "vale dos cristais". O arenito, erodido pelas condições climáticas pode assumir o formato de monolitos assemelhando-se a a figuras como animais, objetos e outros. A flora adaptou-se a essas condições com um elevado grau de endemismo ( é o resultado da separação de espécies, que passam a se reproduzir em regiões diferentes, dando origem a espécies com formas diferentes de evolução; causado por mecanismos de isolamento, alagamento ou movimentação de placas tectônicas.), onde encontram-se diversas plantas carnívoras - que tiram dos insetos capturados os nutrientes que faltam no solo. A fauna também é marcada por um acentuado endemismo, especialmente entre répteis e anfíbios. Esse ambiente é protegido no território venezuelano pelo Parque Nacional de Canaíma e no território brasileiro pelo Parque Nacional do Monte Roraima. Seu ponto culminante, eleva-se ao extremo sul, no estado venezuelano de Bolivar a 2810 metros de altitude.
A idéia de montar uma expedição surgiu dentre uma aventura e outra com os amigos Alexandre Mendes e Ulisses Alves em 2012. Começou o ano de 2013, e o sonho passou a se tornar realidade quando inciamos as pesquisas sobre o local, valores, guias e ao fecharmos uma equipe. Em Junho, acertamos o grupo, a data da expedição e as passagens foram compradas, todos saindo juntos do Rio de Janeiro. Deste momento em diante, foram muitos e-mails, contatos por redes sociais, leitura de relatos, procura por agências de turismo, contato com guias diretamente e encontros, tudo com o intuito de juntar informações suficientes para montar a expedição sem nenhuma falha.
26/10/13 - Primeiro e último encontro com toda a equipe junta, o local escolhido foi o mirante do leblon, no Rio de Janeiro, no final da tarde, faltava menos de um mês para o grande evento e não tínhamos fechado o guia ou agência qie iríamos contratar, a única coisa certa era a nossa passagem até a cidade de Boa vista e o transporte para a cidade da Venezuela, de onde iríamos iniciar a expedição.
Muitas pesquisas se passaram e poucos dias antes da viagem, chegamos a conclusão que não iríamos fechar nenhum pacote com agência de viagem devido aos valores abusivos cobrados e sim, com um guia local. Decidimos entrar em contato com Antônio, um guia citado em diversos relatos.
A semana que antecedeu a viagem, serviu para todos acertarem e testarem seus equipamentos e dar a última conferida na mochila.
1º dia de viagem - 13 de novembro de 2013, Aeroporto do Galeão - Rio de Janeiro, 20h00 no horário de Brasília e finalmente todos prontos para o grande momento, Luciana que veio de Belo Horizonte, eu (Fabio Paes Leme), Leonardo, Alexandre e Gabrielle finalmente juntos para a tão sonhada expedição. Check-in realizado e voo saindo às 21h04 ( horário de Brasília no horário de verão) do dia 13/11, fazendo escala em Manaus.
2º dia de viagem - Chegamos em Boa Vista à 1h00 do dia 14/11 (horário local com 2h a menos de fuso do horário de Brasília). Aguardamos nosso táxi chegar pontualmente às 4h30 como havíamos combinado e partimos para a cidade de Santa Elena de Uiarén, localizado no estado de Bolivar na Venezuela. Esta região serve de ponto de partida para todas as expedições rumo ao monte. Foram 2h de estradas de péssima qualidade, porém cruzando com um cenário novo para todos nós, escolas e tribos indígenas na beira da estrada e um belo amanhecer até chegar a cidade de Pacaraíma (última cidade brasileira), cruzamos a Aduana por volta de 7h00 e aproximadamente de mais 1h de viagem chegamos na cidade de destino.
Sem fazer qualquer reserva em hotel e com a idéia de mudar todo o nosso cronograma conforme a sugestão do guia, marcamos de nos encontrarmos em frente a Pousada Michelle (ponto de hospedagem em diversos relatos) para decidir o que fazer. Estávamos com a proposta de realizar a subida no Monte Roraima em dois dias, ficaríamos 3 dias e 4 noites no topo e mais 2 dias voltando. Conseguimos fechar esta programação e neste mesmo dia, fomos conhecer a Gran Sabana. Fomos muito mal atendidos pela Recepção da Pousada mas deixaram pôr nossa bagagem por lá enquanto realizávamos o passeio.
Tomamos um café da manhã não muito saudável em um lugar parecido com um boteco, uma empanada pra lá de oleosa com um suco não identificável, o meu, a atendente disse que era de rapadura... está bom? (rsrs), trocamos alguns reais para ficar na cidade R$150,00 por Bsb 3450,00 ou seja, a cada R$1,00, conseguíamos trocar por Bsb 23,00. Com dinheiro local no bolso, fomos andar na cidade e aguardar o carro na praça principal para nos levar para o passeio.
Por volta de 10h00 (30 minutos a mais do que Boa Vista e 2h30 a mais do que Brasília) partimos para a Gran Sabana, um sol fortíssimo e com um calor insuportável, passamos pela bela estrada da Venezuela e por várias barreiras militares. Dentre as diversas cachoeiras que passamos a mais bela e uma das mais populares da região foi a Quebrada de JASPE. Linda, com uma coloração avermelhada da rocha que dava um contraste incrível com o verde da vegetação do entorno. Também visitamos a cachoeira Véu da Noiva com uma belíssima queda e águas cristalinas.
Nesse dia, nosso almoço foi na estrada em uma das diversas tribos em que cruzávamos (pollo assado). À noite, cansados por não termos dormido na noite anterior e depois do passeio do dia, tomamos uma cervejinha com uma pizza na pousada Backpacker.
Observação: Após o almoço, não encontramos doces na tribo nem na cidade acabando com o estoque de bananada da lojinha da Pousada Michelle.
3º dia de viagem - 1º dia Expedição Monte Roraima (15/11/13) - 6h30 como combinado, o guia Antonio chegou em uma Toyota 4500 EFI 24 válvulas meio branca meio bege, junto com os carregadores e o cozinheiro para darmos início a expedição. Em uma belíssima estrada de asfalto e péssima estrada de terra, chegamos em 1h40min na entrada do parque localizado na Região de Paraitepuy no Parque Nacional de Canaima. Tomamos um café bem reforçado preparados pelos nossos novos companheiros e demos início a caminhada às 9h30. Surgiu um contratempo, até o momento não tínhamos ciência de que um dos carregadores tratava-se de uma criança de apenas 13 anos, debatemos o assunto entre nós e, a contra gosto, aceitamos aquela situação tendo em vista um problema social bastante comum de alcoolismo na região o que dificulta a contratação de mão obra.
Apesar de triste, era muito comum ver mulheres e crianças pequenas ajudando seus pais e maridos nas expedições para aumentar sua única forma de renda, uma vez que a terra na região não é fértil, dificultando o cultivo de frutas, verduras e legumes.
Nosso grupo realizou a primeira parte da trilha até o Rio Tek seguindo o carregador de 13 anos, Emanuel. Antônio, nosso guia, ficou na entrada do parque aguardando a chegada de outros carregadores para ajudá-lo com nossos suprimentos e mochilas. Neste momento inicial, ficamos com um tremendo peso na consciência e tentamos ajudar Emanuel da melhor maneira que podíamos, cedendo bastões, reduzindo o peso de seu cesto, oferecendo água, suplementos alimentares que havíamos levado para a gente.
Depois de 12 km, 4 longas horas de caminhada, em um percurso praticamente todo plano e de terra batida, com um sol esturricante sobre as nossas cabeças e alguns kg nas costas, chegamos a primeira parada oficial, que era no acampamento RIO TEK por volta de 14h00.
Cedo para armar o acampamento, resolvemos aguardar o guia e os carregadores para saber qual seria a decisão a ser tomada, enquanto isso aproveitamos para tirar fotos da belíssima vista panorâmica do Monte Roraima e ao seu lado o tepui Kukenán; fomos nos desequipando e relaxando na sombra das barracas de pau a pique que haviam no local.
Para mantermos nosso cronograma de chegar ao topo no segundo dia não poderíamos acampar naquele local. Fizemos então nossa parada para almoço bem rápida e um banho de Rio para relaxar, só que de relaxar não tinha nada, em todo o acampamento e na margem do Rio, os mosquitos puri - puri atacavam desesperadamente a gente e não tinha repelente que desse jeito, a melhor maneira que encontramos de nos protegermos foi tomar o banho rapidamente e colocar a roupa novamente junto com um casaco mais fino. Logo as marcas de mordida apareceram por todo o corpo e não pensamos duas vezes ao nos adiantar e continuar a caminhada. Atravessamos o Rio e mantivemos o caminho pela trilha bem marcada, cada morro que subíamos era um ângulo diferente do Monte Roraima que observávamos. O desnível não era tanto ainda, mas um dia longo se sol e de caminhada já estava ficando bem cansativo. Atravessamos o Rio Kukenan que era um pouco mais largo que o Tek mas não estava cheio e podemos passar tranquilamente com ajuda dos carregadores. Um dica importante é o uso de meia para atravessar os rios por serem bastante escorregadios.
A partir deste momento, já estávamos bem perto do acampamento que iríamos ficar, o sol começou a se pôr e um belíssima lua cheia começou a subir por de trás do Monte deixando todos maravilhados com a vista.
Segundo o Rai, um dos carregadores do grupo que fomos conhecer apenas na travessia dos Rios, faltava apenas "meia hora" para a chegada, mas o problema que essa "meia hora", já durava umas 3 horas, e havíamos perguntado umas três vezes... entendemos o significado do termo que era "não sei quanto tempo falta" e foi motivo para virar piada durante toda a expedição.
Chegamos no acampamento Base Militar por volta de 17h00, quase escurecendo e com a ajuda dos carregadores montamos as barracas. Foram 3 barracas para os 5, Gabi e Luciana dormiram em uma durante todos os dias, eu Leo e Alexandre revesamos as outras duas, sempre um dormia sozinho e nesse primeiro dia foi a minha vez. Com pouco mosquito e sem muito frio, conseguimos ficar conversando na frente da barraca curtindo a lua cheia, jantamos um frango com arroz feito pelos Venezuelanos acompanhado de um suco muito estranho que ainda não descobri o sabor. Neste dia, percorremos 18 km em aproximadamente 450 m de desnível.
4º dia de viagem - 2º dia de Expedição Monte Roraima (16/11/13) - 6h da manhã, o dia já estava claro, o sol começando a chegar nas barracas, que estavam encharcadas pela grande umidade local, frio matinal suportável, cansado de tanto dormir me levantei ao som dos primeiros barulhos de panelas, já era o cozinheiro Rafael, preparando nosso café da manhã. Aos poucos, todos começavam a levantar até porque, ninguém mais aguentava dormir, havíamos nos deitado por volta de 20h00 e já faziam 10 horas de sono. Com o café da manhã bem reforçado (panquecas, café com leite, geleia e queijo), desmontamos acampamento e as 7h30, partimos com um sol já forte, mas que ao nos aproximarmos da base da montanha o tempo iria fechando. Com aproximadamente 45 minutos de caminhada, o tempo fechou de vez e começamos a sentir gotas de chuva porém bem finas e que foram ficando constantes com o tempo.
Com um saco plástico bem resistente por dentro da mochila protegendo as roupas e equipamentos mantivemos nossa ascensão cada vez mais devagar. Gabi inexplicavelmente começou a sentir o tornozelo e nosso ritmo caiu ainda mais. Com um peso de mais de 10kg cada um e subindo, passei a puxar mais o passo com Alexandre e aguardamos a chegada deles no acampamento base após 3 horas de trilha desde o local do pernoite. Parada estratégica para suplementação com barras de proteína e hidratação com isotônico, voltamos a caminhada 20 minutos depois, com a chuva dando o ar da graça. As meninas já com a capa de chuva mantiveram e ficaram tranquilas, Leo colocou um pouco mais na frente e eu e Alexandre achamos que iria molhar tudo se parássemos na chuva e abríssemos a mochila para pegar, então ficamos sem. Não foi uma boa idéia, a chuva já estava forte, não parava nunca, não tinha lugar para descanso então fomos obrigados a manter um rítmo devagar porém constante acabando deixando o Leo e Gabi pra trás com o Guia e carregadores, junto com a gente estava o Rafael.
Desde o acampamento base, a inclinação da trilha aumentou drasticamente, tendo momentos que tínhamos que colocar as mão para nos impulsionar, passamos por muito barro, pequenos rio, matas fechadas. A todo momento tinha gente descendo, tanto carregadores com cestos imensos como grupos de idades bem variadas, o que nos incentivava mais a continuar a caminhada. As 13h00 tivemos o nosso primeiro contato com a parede do monte, uma pequena parada para energizar, tirar fotos e continuar, tentamos aguardar o restante do grupo no segundo mirante (existem dois mirante até o passo das lágimas) que devido ao mal tempo, não enxergávamos nada, até ouvimos o chamado do Leo, mas estávamos com muito frio e não conseguíamos esperar mais nem um minuto. Sempre bem devagar para não escorregarmos, chegamos ao passo das lágrimas, mas parece que na hora não estávamos muito preocupados em curtir o local e sim de chegar ao topo logo e nos abrigar da chuva. Muita pedra solta, o que nos proporcionou alguns escorregões, passamos por debaixo da cachoeira e dali já tínhamos a certeza de que o cume estava próximo. Procurando incentivar a Luciana a não desistir nem a parar, soltávamos frases motivacionais, brincávamos, eu mantinha uma contagem a cada 10 metros de aproximação ao topo marcado no meu garmin (GPS).
As 15h00, horário local, chegamos ao topo do Monte Roraima. A emoção tomou conta de todos, uns choraram outros gritaram mas a sensação de conquista ou melhor, de ser conquistado pela montanha, era única. Tinhamos a idéia de aguardar o restante do grupo no primeiro abrigo e se for o caso resgatá-los, realmente estávamos muito preocupados mas a cada metro que andávamos a paisagem mudava mas ao mesmo tempo tudo era muito igual, com a nevoa que estava, era impossível um da gente voltar para buscá-los, sem dúvida nenhuma, iríamos nos perder, por este motivo continuamos a nossa caminhada. Um cenário muito louco, com pedras fazendo vários formatos, vegetação muito rasteira e cada vez mais rara, flora totalmente diferente do que já havíamos visto em qualquer lugar, tinhamos a impressão que estávamos em outro planeta, poderia até dizer que seria a lua se fosse seco. Depois de um sobe e desce de pedra chegamos ao primeiro abrigo que era chamado de "Hotel"Arena.
Um paredão de rocha com uma coloração amarelada bem clara formando grutas e abrigos bem seguros, o piso era de areia bem fina com um tom mais escuro "tipo barro" mas não era. Primeiro passo ao chegar no abrigo foi retirar as blusas e trocar a roupa por uma mais seca, os outros carregadores foram chegando aos poucos e com eles a comida e as barracas. Já estávamos azul de fome, com apenas algumas guloseimas na parada do mirante, recebemos dois sanduíches cada um, que eram feitos com um pão local, ovo, presunto, tomate e orégano, o melhor que já comi em toda a minha vida, não sei se foi exatamente o melhor mas o que eu pensei na hora. Para esquentar um pouco, foi servido um café quentinho, o que nos deu uma tranquilizada quanto aos tremores. Leo chegou uns 10 min depois desesperado de frio e exausto e com mais 5 mimutos junto com o Guia, chega a Gabi com uma tranquilidade de dar inveja a todos. Todos comeram, trocaram de roupa, montamos as barracas com a ajuda dos carregadores facilitando nossa organização com as mochilas. Aos poucos, o abrigo foi se tornando uma favela, com tanta roupa pendurada nas pedras.
O clima frio foi acalmando, a chuva parando e a névoa abrindo, e ai que começamos a ver realmente aonde estávamos e com um pouco mais de 200 metros estava o ponto culminante do monte que era chamado de Maverick, por ter um formato parecido com o carro mas que daquele ângulo não estávamos enxergando nada disso, ou não tínhamos ingerido muita nuvem ainda...(rsrs). Neste momento em diante, só jantamos, conversamos até um pouco mais de escurecer e fomos dormir pois a tensão e o cansaço do dia foi muito grande. Nesta noite, os 3 homens do grupo dormiram juntos por temer o frio que já havíamos sentido mais cedo e foi uma péssima decisão, a barraca muito apertada para três e nada confortável, foi assim a nossa primeira noite no topo. Neste dia, percorremos apenas 7km com desnível de 1200m.
Tomamos um café da manhã não muito saudável em um lugar parecido com um boteco, uma empanada pra lá de oleosa com um suco não identificável, o meu, a atendente disse que era de rapadura... está bom? (rsrs), trocamos alguns reais para ficar na cidade R$150,00 por Bsb 3450,00 ou seja, a cada R$1,00, conseguíamos trocar por Bsb 23,00. Com dinheiro local no bolso, fomos andar na cidade e aguardar o carro na praça principal para nos levar para o passeio.
Por volta de 10h00 (30 minutos a mais do que Boa Vista e 2h30 a mais do que Brasília) partimos para a Gran Sabana, um sol fortíssimo e com um calor insuportável, passamos pela bela estrada da Venezuela e por várias barreiras militares. Dentre as diversas cachoeiras que passamos a mais bela e uma das mais populares da região foi a Quebrada de JASPE. Linda, com uma coloração avermelhada da rocha que dava um contraste incrível com o verde da vegetação do entorno. Também visitamos a cachoeira Véu da Noiva com uma belíssima queda e águas cristalinas.
Nesse dia, nosso almoço foi na estrada em uma das diversas tribos em que cruzávamos (pollo assado). À noite, cansados por não termos dormido na noite anterior e depois do passeio do dia, tomamos uma cervejinha com uma pizza na pousada Backpacker.
Observação: Após o almoço, não encontramos doces na tribo nem na cidade acabando com o estoque de bananada da lojinha da Pousada Michelle.
3º dia de viagem - 1º dia Expedição Monte Roraima (15/11/13) - 6h30 como combinado, o guia Antonio chegou em uma Toyota 4500 EFI 24 válvulas meio branca meio bege, junto com os carregadores e o cozinheiro para darmos início a expedição. Em uma belíssima estrada de asfalto e péssima estrada de terra, chegamos em 1h40min na entrada do parque localizado na Região de Paraitepuy no Parque Nacional de Canaima. Tomamos um café bem reforçado preparados pelos nossos novos companheiros e demos início a caminhada às 9h30. Surgiu um contratempo, até o momento não tínhamos ciência de que um dos carregadores tratava-se de uma criança de apenas 13 anos, debatemos o assunto entre nós e, a contra gosto, aceitamos aquela situação tendo em vista um problema social bastante comum de alcoolismo na região o que dificulta a contratação de mão obra.
Apesar de triste, era muito comum ver mulheres e crianças pequenas ajudando seus pais e maridos nas expedições para aumentar sua única forma de renda, uma vez que a terra na região não é fértil, dificultando o cultivo de frutas, verduras e legumes.
Nosso grupo realizou a primeira parte da trilha até o Rio Tek seguindo o carregador de 13 anos, Emanuel. Antônio, nosso guia, ficou na entrada do parque aguardando a chegada de outros carregadores para ajudá-lo com nossos suprimentos e mochilas. Neste momento inicial, ficamos com um tremendo peso na consciência e tentamos ajudar Emanuel da melhor maneira que podíamos, cedendo bastões, reduzindo o peso de seu cesto, oferecendo água, suplementos alimentares que havíamos levado para a gente.
Depois de 12 km, 4 longas horas de caminhada, em um percurso praticamente todo plano e de terra batida, com um sol esturricante sobre as nossas cabeças e alguns kg nas costas, chegamos a primeira parada oficial, que era no acampamento RIO TEK por volta de 14h00.
Cedo para armar o acampamento, resolvemos aguardar o guia e os carregadores para saber qual seria a decisão a ser tomada, enquanto isso aproveitamos para tirar fotos da belíssima vista panorâmica do Monte Roraima e ao seu lado o tepui Kukenán; fomos nos desequipando e relaxando na sombra das barracas de pau a pique que haviam no local.
Para mantermos nosso cronograma de chegar ao topo no segundo dia não poderíamos acampar naquele local. Fizemos então nossa parada para almoço bem rápida e um banho de Rio para relaxar, só que de relaxar não tinha nada, em todo o acampamento e na margem do Rio, os mosquitos puri - puri atacavam desesperadamente a gente e não tinha repelente que desse jeito, a melhor maneira que encontramos de nos protegermos foi tomar o banho rapidamente e colocar a roupa novamente junto com um casaco mais fino. Logo as marcas de mordida apareceram por todo o corpo e não pensamos duas vezes ao nos adiantar e continuar a caminhada. Atravessamos o Rio e mantivemos o caminho pela trilha bem marcada, cada morro que subíamos era um ângulo diferente do Monte Roraima que observávamos. O desnível não era tanto ainda, mas um dia longo se sol e de caminhada já estava ficando bem cansativo. Atravessamos o Rio Kukenan que era um pouco mais largo que o Tek mas não estava cheio e podemos passar tranquilamente com ajuda dos carregadores. Um dica importante é o uso de meia para atravessar os rios por serem bastante escorregadios.
A partir deste momento, já estávamos bem perto do acampamento que iríamos ficar, o sol começou a se pôr e um belíssima lua cheia começou a subir por de trás do Monte deixando todos maravilhados com a vista.
Segundo o Rai, um dos carregadores do grupo que fomos conhecer apenas na travessia dos Rios, faltava apenas "meia hora" para a chegada, mas o problema que essa "meia hora", já durava umas 3 horas, e havíamos perguntado umas três vezes... entendemos o significado do termo que era "não sei quanto tempo falta" e foi motivo para virar piada durante toda a expedição.
Chegamos no acampamento Base Militar por volta de 17h00, quase escurecendo e com a ajuda dos carregadores montamos as barracas. Foram 3 barracas para os 5, Gabi e Luciana dormiram em uma durante todos os dias, eu Leo e Alexandre revesamos as outras duas, sempre um dormia sozinho e nesse primeiro dia foi a minha vez. Com pouco mosquito e sem muito frio, conseguimos ficar conversando na frente da barraca curtindo a lua cheia, jantamos um frango com arroz feito pelos Venezuelanos acompanhado de um suco muito estranho que ainda não descobri o sabor. Neste dia, percorremos 18 km em aproximadamente 450 m de desnível.
Desde o acampamento base, a inclinação da trilha aumentou drasticamente, tendo momentos que tínhamos que colocar as mão para nos impulsionar, passamos por muito barro, pequenos rio, matas fechadas. A todo momento tinha gente descendo, tanto carregadores com cestos imensos como grupos de idades bem variadas, o que nos incentivava mais a continuar a caminhada. As 13h00 tivemos o nosso primeiro contato com a parede do monte, uma pequena parada para energizar, tirar fotos e continuar, tentamos aguardar o restante do grupo no segundo mirante (existem dois mirante até o passo das lágimas) que devido ao mal tempo, não enxergávamos nada, até ouvimos o chamado do Leo, mas estávamos com muito frio e não conseguíamos esperar mais nem um minuto. Sempre bem devagar para não escorregarmos, chegamos ao passo das lágrimas, mas parece que na hora não estávamos muito preocupados em curtir o local e sim de chegar ao topo logo e nos abrigar da chuva. Muita pedra solta, o que nos proporcionou alguns escorregões, passamos por debaixo da cachoeira e dali já tínhamos a certeza de que o cume estava próximo. Procurando incentivar a Luciana a não desistir nem a parar, soltávamos frases motivacionais, brincávamos, eu mantinha uma contagem a cada 10 metros de aproximação ao topo marcado no meu garmin (GPS).
As 15h00, horário local, chegamos ao topo do Monte Roraima. A emoção tomou conta de todos, uns choraram outros gritaram mas a sensação de conquista ou melhor, de ser conquistado pela montanha, era única. Tinhamos a idéia de aguardar o restante do grupo no primeiro abrigo e se for o caso resgatá-los, realmente estávamos muito preocupados mas a cada metro que andávamos a paisagem mudava mas ao mesmo tempo tudo era muito igual, com a nevoa que estava, era impossível um da gente voltar para buscá-los, sem dúvida nenhuma, iríamos nos perder, por este motivo continuamos a nossa caminhada. Um cenário muito louco, com pedras fazendo vários formatos, vegetação muito rasteira e cada vez mais rara, flora totalmente diferente do que já havíamos visto em qualquer lugar, tinhamos a impressão que estávamos em outro planeta, poderia até dizer que seria a lua se fosse seco. Depois de um sobe e desce de pedra chegamos ao primeiro abrigo que era chamado de "Hotel"Arena.
Um paredão de rocha com uma coloração amarelada bem clara formando grutas e abrigos bem seguros, o piso era de areia bem fina com um tom mais escuro "tipo barro" mas não era. Primeiro passo ao chegar no abrigo foi retirar as blusas e trocar a roupa por uma mais seca, os outros carregadores foram chegando aos poucos e com eles a comida e as barracas. Já estávamos azul de fome, com apenas algumas guloseimas na parada do mirante, recebemos dois sanduíches cada um, que eram feitos com um pão local, ovo, presunto, tomate e orégano, o melhor que já comi em toda a minha vida, não sei se foi exatamente o melhor mas o que eu pensei na hora. Para esquentar um pouco, foi servido um café quentinho, o que nos deu uma tranquilizada quanto aos tremores. Leo chegou uns 10 min depois desesperado de frio e exausto e com mais 5 mimutos junto com o Guia, chega a Gabi com uma tranquilidade de dar inveja a todos. Todos comeram, trocaram de roupa, montamos as barracas com a ajuda dos carregadores facilitando nossa organização com as mochilas. Aos poucos, o abrigo foi se tornando uma favela, com tanta roupa pendurada nas pedras.
O clima frio foi acalmando, a chuva parando e a névoa abrindo, e ai que começamos a ver realmente aonde estávamos e com um pouco mais de 200 metros estava o ponto culminante do monte que era chamado de Maverick, por ter um formato parecido com o carro mas que daquele ângulo não estávamos enxergando nada disso, ou não tínhamos ingerido muita nuvem ainda...(rsrs). Neste momento em diante, só jantamos, conversamos até um pouco mais de escurecer e fomos dormir pois a tensão e o cansaço do dia foi muito grande. Nesta noite, os 3 homens do grupo dormiram juntos por temer o frio que já havíamos sentido mais cedo e foi uma péssima decisão, a barraca muito apertada para três e nada confortável, foi assim a nossa primeira noite no topo. Neste dia, percorremos apenas 7km com desnível de 1200m.
Sem um pouco de noção de tempo e de hora, passamos pelo "el fosso", uma cratera com cerca de
Ao chegar no abrigo Coati depois de 4 horas de dura caminhada, a impressão que tínhamos era que realmente parece um hotel, a entrada principal maior como se fosse uma recepção, um jardim no centro de um corredor com iluminação natural e nos cantos, os quartos; perfeito!!
6º dia de viagem - 4º dia de Expedição Monte Roraima (18/11/13) - 4h30, o sol escondido mas a claridade querendo aparecer, o Guia Antônio acorda todos para ver o nascer do sol, a noite anterior tinha sido de lua cheia, e o céu estava limpo. Foi aquela correria para não perder nenhum momento, acorda um que acorda o outro e a mulherada queria pentear cabelo (rsrs), uma confusão, e carrega a Gabi que não consegue correr...(rsrs), loucura, mas no fim deu tudo certo, o sol nascendo por de trás das nuvens, fantástico!!!!!! Estávamos acima delas, o frio e a escuridão vão desaparecendo dando chegada aos raios solares com o calor e a renovação de energia. Lindas fotos foram tiradas pois o visual era para emocionar qualquer um. Começando mais um dia de acampamento, nosso objetivo do dia era conhecer o Lago Gladys, no caminho, passamos por um rio belíssimo chamado Rio do ouro que possuia águas transparentes e uma coloração amarelada devido os minerais das rochas, de cima, podíamos ver toda a profundidade que variava muito conforme as crateras que estavam submersas.
Ao chegar no objetivo, um nevoeiro cobrindo toda a trilha e impedindo de ver
Ao passar
novamente por um longo trecho de pedra até chegar ao Ponto Triplo, decidimos
dividir o grupo, Gabi por estar lesionada continuou a caminhada pelo mesmo
caminho da ida, acompanhada do Alexandre e os carregadores. Eu, Luciana, Leo e
Antônio, desviamos o caminho e fomos para o Vale dos Cristais.
Um caminho com
cerca de 100 metros de distância e coberto de cristais Quartzo com a coloração
na maior parte branca, tendo a grande sensação de estarmos passando por cima de
neve. Pedras enormes fixadas na rocha dava uma coloração especial ao cruzar com
a água que descia suave de um córrego. Lindo demais!! Voltando pelo mesmo caminho
de ida, passamos pelo El fosso, só que com um volume muito maior de água em sua
queda. Cortamos alguns caminhos, passamos por alguns charcos e obstáculos
maiores mas algumas horas depois encontramos com o restante do grupo e seguimos
juntos até o “Hotel” principal que ficava ao lado do Hotel Arena e em frente o
Maverick. Como de costume, durante todo
o dia alternou momentos de chuva fina e sol mas quando chegamos ao abrigo, o
tempo fechou de vez nos deixando um pouco receosos por já termos passado por
uma chuva. Fizemos um caminho na terra pra água descer para longe das barracas
e deu certo quando a chuva caiu durante a noite.
8º dia de viagem - 6º dia de Expedição Monte Roraima (20/11/13)
– Saímos cedo como de costume, o tempo não estava muito bom, então fomos
somente na Jacuzzi, permanecemos por
uns 20 minutos e iniciamos nossa descida do monte. Tivemos um pouco de
dificuldade ao passar pelo Passo das lágrimas por estar com um maior volume de
água mas passamos rápido. Em comparação com a subida, a descida estava mole e
logo chegamos no acampamento base. Nesta parada, almoçamos e continuamos a
descida até o Acampamentos Rio Tek, onde foi nosso último acampamento. Depois
de alguns dias de desentendimentos com o tênis, Alexandre encerrou seu
relacionamento com o mesmo e desceu de chinelo.
Apesar dos mosquitos, tomamos um banho relaxante, jantamos e Rafael nos contou algumas das lendas mais conhecidas do monte e nos surpreendemos em muitas delas, a principal, foi a de que não deveríamos ter ido no mirante onde vimos o Roraiminha pois era um lugar sagrado. Deveríamos ter respeitado o silêncio da montanha. No mesmo dia, Macunaíma como castigo enviou uma tempestade no local. A lua cheia iluminou mais uma vez nossa noite deixando um ar de despedida da montanha.
Apesar dos mosquitos, tomamos um banho relaxante, jantamos e Rafael nos contou algumas das lendas mais conhecidas do monte e nos surpreendemos em muitas delas, a principal, foi a de que não deveríamos ter ido no mirante onde vimos o Roraiminha pois era um lugar sagrado. Deveríamos ter respeitado o silêncio da montanha. No mesmo dia, Macunaíma como castigo enviou uma tempestade no local. A lua cheia iluminou mais uma vez nossa noite deixando um ar de despedida da montanha.
9º dia de viagem - 7º dia de Expedição Monte Roraima (21/11/13) – Amanhecemos com um lindo sol e partimos para nossos últimos quilômetros. Com 3 horas de trilha, eu, Leo e Alexandre e com muito sol na cabeça, chegamos um pouco mais cedo que o restante do grupo. Tomamos um banho bem gelado para refrescar e para almoço, tivemos uma grande surpresa: arroz, feijão, carne assada com coca-cola e cerveja local bem gelada. Nossa!!!!!!!! Parecia um sonho tudo aquilo, um prêmio pela conquista por tudo que havíamos passado.
Retornamos para a cidade de Santa Elena cedo e passamos o restante do dia e a noite na pousada Backpacker.
10º dia de viagem (22/11/13) – Um calor
insuportável, quando fomos tomar banho para procurar uma padaria, sem água!!! Tivemos que esperar a manhã inteira pela água, demos mais uma volta na cidade, arrumamos as coisas, almoçamos e partimos para
o aeroporto. Nosso voo era às 1h40 do dia 23/11
e chegamos às 19h no aeroporto, tivemos que enrolar muitas horas antes de pegar o avião. Quando achávamos
que havia acabado nossa aventura, o aeroporto de Manaus fecha devido a uma
forte neblina e voltamos para Roraima às 3h40. Exaustos e sem mais roupa para trocar,
tivemos que procurar um hotel para passar o restante da noite e parte do dia, já que nosso voo foi remarcado para as 16h00. Retornamos para fazer
novamente o check in e descobrimos que iríamos passar mais uma noite longe de casa, só que desta vez em
Brasília, pois não tinha voo direto. Dia 24/11 às 7h00, chegamos ao aeroporto de Brasília para o nosso último voo,
Luciana seguiu viagem para BH e o restante para o Rio de Janeiro.
Informações importantes:
- Se faz necessário a utilização
da identidade atualizada e por segurança o passaporte para o
controle na aduana na entrada à Venezuela (A carteira de motorista não
serve para nada). O comprovante de vacina internacional para a
febre amarela também se faz indispensável e pode ser adquirido em
alguns postos de saúde específicos.
-Taxi Josivan: ( Brasileiro e aceita pagamento em Real )
Contato: 95 91186316 / 91115951
Guia Antônio + 2 carregadores + 2 cozinheiros + jeep 4x4 + passeio na
Gran Sabana + 8 dias em expedição no Monte Roraima.
Contato: 00584262908894 /
00584261953069 e-mail: thekkeepertour@hotmail.com - facebook: https://www.facebook.com/wenber.asis




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