quinta-feira, 9 de maio de 2013

42km: Deserto do Atacama


Partindo para o Deserto, iniciei a primeira maratona, a de vôos: saindo do Rio de Janeiro, foram duas conexões até Calama (Guarulhos e Santiago), por último uma van até a cidade de San Pedro do Atacama. Já se foram quase 20 horas de viagem, varando a madrugada, cheguei na cidade por volta de 12h de sábado. Com uma hora a mais que o Brasil pelo horário de verão do Chile, o sol estava rachando e fomos para a preparação. Fui retirar o kit, fiz um treino de 30 minutos para soltar a musculatura e acostumar com o clima, assisti uma palestra sobre o percurso e fui fazer todo aquele ritual que cada atleta possui em dias de competição.

O Deserto do Atacama está localizado ao norte do Chile até a fronteira com o Peru, possuindo cerca de 100km de extensão. É considerado o deserto mais alto, com 2400 metros de altitude e o mais árido do mundo. Sua temperatura varia entre 0°C a noite e 40°C durante o dia, em função destas condições existem poucas cidades e vilas no deserto; uma delas é San Pedro do Atacama, que tem pouco mais de 3000 habitantes e local escolhido pela equipe SPORTS DO para realização da Maratona do Deserto.

 
Chegado o grande dia, 17 de março de 2013, eram 7:10 da manhã, o sol se escondia por causa do frio matinal e ja estavam quase todos presentes na praça central da cidade, os atletas de 42km e 23km juntos para a largada, como disse o KIKO, organizador do evento, os corredores de 6km largariam 5 minutos após a primeira largada por participarem de um evento mais festivo.

Que festa linda, de San Pedro, Calle Caracoles sentido Calama e a rodovia principal da Cidade fechada por algumas horas. O sol ainda estava escondido atrás aproximadamente 5km de corrida havia uma lona estendida no canto direito da pista, própria para quem quisesse deixar o casaco, mais ou menos nesse quilômetro, o sol começou a aparecer com uma coloração única nas montanhas refletindo sua beleza exuberante para os corredores. Um pouco depois de deixarmos o casaco de lado, foi a hora de deixarmos o asfalto e partir para terra batida, pouquíssimas inclinações e muitas pedras pelo percurso. No km 10, iniciava-se a passagem pelo Vale de La Luna, ainda sem sol por completo, o trecho precisava um pouco mais de atenção pois era bem estreito e muitos obstáculos, neste momento, começam as ultrapassagens, dando uma volta mais rápida por uma pedra, subindo por outro lado de uma parede de sal e fui ganhando tempo. Vales fantásticos se abriam para a passagem do sol pelas rochas e superfícies brancas de sal, que faziam o papel de refletores naturais e dando um efeito especial para a lente dos fotógrafos.


O clima era muito seco, o corpo não transpirava e a cada posto de hidratação era uma garrafa de 500 ml de água para lavar o rosto coberto de sal, molhar os lábios e beber um pouco, essa foi a minha estratégia até o final, e deu certo. Ao passar por um percurso plano de terra batida para descansar e recompor a musculatura, entramos em um trecho ondulado, alternando areia fofa e pequenas subidas e descidas no km 26, não satisfeito, no km 28 o deserto nos preparava uma subida monstruosa que fazia qualquer um frear e subir quase de quatro apoios, impossível correr neste trecho, foram aproximadamente uns 300 metros de subida caminhando. Os próximos 4km foram mais planos, passamos por trilhas de sal bem estreitas que não dava nem para correr muito e uma terra aparentemente dura mas que afundava ao pisarmos.



Chegamos então na parte mais difícil, outro trecho daqueles que quem tivesse caminhando já estava de bom tamanho, no final da subida, os staffs davam as mãos para auxiliar e um gás a mais. Literalmente Gás, estavam oferecendo oxigênio pois faltou para muitos, alguns metros à frente, era distribuído frutas, barras de proteínas e até refrigerante... como caiu bem. A partir deste momento foi contagem regressiva. O cansaço foi tomando conta, corria 2 quilômetros andava uns 100 metros e essas distâncias iam variando conforme fosse chegando mais perto. Atravessei dunas de areia, de pedra, de sal e a maior emoção estava para chegar.

Passando por Pukara Quitor, já era sinal que estava chegando o fim, faltando 2km e o corpo já não respondia automático aos comando da mente de ter que chegar, a cada 100 metros que passavam era uma conquista. Os últimos 300 metros foram os mais emocionantes da corrida, todos os bons e maus momentos dos treinos que antecederam a prova foram lembrados em 70 segundo, na reta final. Última curva, todos já gritávam meu nome (estava escrito no meu número de peito), lembrei dos meus treinos de tiro e corri para o sprint final. Cruuuuuuza a linha de chegada!!! Foi uma explosão de sentimentos na mesma hora. Não sabia se gritava, se chorava, se ria...chorei de alegria, os melhores momentos da corrida e os treinos se repetiam a todo o momento, lembrei do apoio de todos que me mandavam mensagens e tive a certeza de uma coisa; fiz o meu melhor, dever cumprido, 4:45´26" foi meu tempo final.



3 comentários:

  1. Excelente amigo. Pude sentir a emoção de sua chegada. Parabéns!!!!

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  2. Obrigado... Foi uma emoção muito grande! Que bom que consegui transmitir isso.

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  3. Ta mt maneiro Fabinho!! E o uniforme ta no padrão rsrs

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